Analise do endividamento das pessoas físicas com o cartão de crédito no Brasil e utilização da educação financeira como ferramenta de controle do endividamento.

às 22:26

Resumo

 

O presente trabalho relata o superendividamento das pessoas físicas com o cartão de crédito, endividamento esse que vem preocupando o país, gerando um aumento excessivo de dividas. As dividas tem por si os seus motivos contestados principalmente pelo desemprego. O fato de ter Analise do endividamento das pessoas físicas com o cartão de crédito no Brasil e utilização da educação financeira como ferramenta de controle do endividamento.

 

dividas e estar endividado não descarta a possibilidade de reversão e até mesmo proteção para que esse caso não ocorra, sendo assim podemos contar hoje com a educação financeira, uma maneira de auto-ajuda para controlar as aquisições de bem matérias ou bens não materiais. O endividamento das pessoas físicas principalmente com o cartão de crédito vem preocupando o país, o aumento constante das dívidas é algo surpreendente. Um dos motivadores desse impacto na sociedade são as agressivas propagandas e o trabalho de marketing que as facilitadoras de crédito vem fazendo. Dentro do endividamento encadeado pelas pessoas físicas, essas têm o Código de Defesa do Consumidor que da plena base, assegurando o direito dos consumidores na regulamentação da oferta, e em favor do consumo e do direito de arrependimento ou prazo de reflexão.

 

 

Palavras-chave: endividamento, cartão de crédito, educação financeira.

 

 

 

 

1. Introdução

 

Esse artigo tem o pressuposto de detalhar o endividamento da população, mais especificamente das pessoas físicas com o cartão de crédito, é levado em conta além das razões que levam a se endividar e a educação financeira que deve ser adotada.

Podemos até dizer que a população de baixa renda é a mais afeta, mas as dívidas também se constroem nas famílias de classe mais alta. O fato não é renda e sim o modo de compra e gerir os gastos. Sendo que mesmo gerindo sua renda o fato de entrar para o mundo das dividas pode ser explicado pelo SPC e IEGV, em pesquisa realizada aponta que 53% dos endividados em 2007 são de pessoas desempregadas.

Sendo que se pode ser apresentados os principais causadores da inadimplência e alguns dados sobre os mesmos, como o desemprego e a precária educação e conhecimento no momento de adquirir um bem ou serviço.

Hoje o consumo é cada vez mais por obsessão do que por precisão, meramente atraída visto como potencialidade de compra. Nesse momento as pessoas não se dão de conta de que se compra precisa pagar, que as propagandas de parcelamento precisam ser quitadas.

Um cidadão que deixa de cumprir seus compromissos de 1 a 3 meses consecutivos pode ser considerado endividado, gerando agravo na estrutura familiar originando o sobre endividamento.

Para essa causa e outras formas de prevenir as dividas são dispostas na educação financeira, maneira por qual qualquer pessoa pode interagir com suas contas a pagar e contas a receber, além de se situar diante de sua vida financeira. Para corrigir alguns abusos financeiros onde o consumidor é atingido entra o Código de Defesa do Consumidor para regulamentar e auxiliar no caso de precisar.

Para melhor entender uns dos principais causadores das dividas os cartões de crédito, o plástico que endivida milhares de brasileiros, somente relembrando a sua origem, seus princípios, a utilidade e facilidade.  Como lembra Abrão (2005), cartão de crédito é instrumento de crédito contratual que possibilita a livre aquisição de bens e serviços obedecidos determinado teto do limite concedido, dentro do âmbito dos fornecedores conveniados (…).

 

2. Desenvolvimento

 

2.1 Contexto Bibliográfico

 

O endividamento pode ser acentuado como a impossibilidade de o consumidor não obter modo de cumprir com suas obrigações contratuais atinente não só a dívida vencida como as a vencer também, muitas vezes por opressão de entrar no cadastro do serviço de proteção ao crédito acaba pedindo mais empréstimos sendo na maioria das vezes com altos juros.

O endividamento, segundo trabalho realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2002), é definido como o saldo devedor de um indivíduo e este pode resultar apenas de uma dívida ou de mais de que uma simultaneamente.

O princípio atrativo do crédito está na forma de pagamento que pode ser parcelado, o que torna o investimento de um bem ou serviço mais viável, pois em muitas vezes a aquisição a vista não é admissível, devido a certos bens terem um custo altíssimo.

Uma das principais formas de adquirir os parcelamentos é atendida pelo uso do cartão de crédito, através dele não é necessário consulta aos serviços de proteção de crédito (SPC e SERASA) e possuir o comprovante de renda.

Sendo que essa facilidade de levar para casa o seu bem pretendido pode causar muitas vezes um grande acumulo de faturas a pagar, gerando o endividamento. No atraso da fatura do cartão de crédito é algo praticamente irreversível, no momento em que pretende quitar somente no mês subseqüente, as altas taxas de juros praticadas pelas instituições e administradores são muitas vezes abusivas.

O endividamento exagerado, conhecido como superendividamento ou sobre endividamento, é acentuado pela melhor doutrina como a “impossibilidade global pessoa física, consumidor, leigo e de boa fé de pagar todas as suas dívidas atuais e futuras de consumo” (CARDOSO, 2007).

O sobre endividado é o cidadão que passou do limite no momento onde se encontrava como endividado ativo e não possui mais condições de quitar com suas obrigações financeiras, pois o grau das dívidas se encontra em estado agravante. O argumento a respeito do superendividamento é matéria que delibera fixamente em todas as sociedades de capital onde se faz do consumo, através de altas propagandas, algo inteiramente estimulador.

Com efeito, em grande parte das vezes o consumidor é seduzido com ofertas publicitárias e campanhas de alto nível plástico e estético a consumir de modo irrefletido, especialmente quando se pensa nos hipervulneráveis, como são os idosos, jovens etc. (Da Costa, 2002).

O método de usar uma modalidade de crédito para financiar outra é um jeito tratado pela literatura como probabilidade de endividamento subseqüente ao empréstimo.

Alguns artefatos são de extrema seriedade que passam despercebidos como o crédito fácil, precário conhecimento nas transações de crédito, má gestão das finanças pessoais e pressão financeira inesperada, esses são itens que permanecem na linha de apoio para as dívidas.

Pode se ver hoje de um lado, o consumidor com o orçamento familiar envolvido com as dívidas em estável crescimento, gerando a falta para o mínimo existencial, e, do outro, a nova ética, ou seja, a precedência do consumo. Todos os fatos indicam ser irreversível esse artifício de endividamento excessivo, que inviabiliza recursos e qualquer encaminhamento no sentido da cautela.

A abordagem na rua, pelo telefone e até mesmo na fila do cash é agressiva e acaba fazendo com que as pessoas se iludam e contratem o empréstimo sem saber realmente do que se trata e qual a taxa de juros que ele vai pagar – não lendo e entendo o contrato. A maioria das cobranças é feita em desconto em folha, impossibilitando o mesmo de sacar no momento de fragilidade o seu salário.

Em exame feito por alunos do curso de Economia da USP (2007) sobre as dificuldades que levam as dívidas, pode ser observada a figura a seguir, onde com 21,6% fica como causa incidentes pessoais, como desemprego e saúde, 35,1% das dívidas é por conta do consumismo e 43,1% a falta de planejamento financeiro.

               

Figura 1: Principais problemas que levam as pessoas a se endividarem

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da USP (2007)

 

A oferenda de crédito atualmente se depara em abundância, sendo de fácil e rápida a sua obtenção, fazendo com que as pessoas caiam na armadilha do gasto simples, o que elas não sabem a respeito dessas agressivas publicidades é o conteúdo dos imensos elementos contratuais, onde minúsculas letras contam o valor real dos encargos financeiros e condições de pagamento.

Costa (apud CORRAL, 2006, p. 29) considera que:

 

Na economia do endividado, tudo se articula com o crédito. O crescimento econômico é condicionado por ele. O endividado dos lares funciona como meio de financiar a atividade econômica. Segundo a cultura do endividado, viver a crédito é um bom hábito de vida. Maneira de ascensão ao nível de vida e conforto do mundo contemporâneo, o crédito não é um favor, mas um direito fácil.

 

O consumismo indisciplinado pode ser uma das fisionomias do superendividamento, o volumoso número de pessoas, jovens ainda, que não conseguem controlar o impulso de comprar diante da vasta oferta que lhes é proporcionada diuturnamente. Não se podem imaginar afirmativas de que esta seja uma preocupação da sociedade, mas do indivíduo que não soubera controlar seus impulsos consumistas, apartando a responsabilidade da sociedade.

O sobre endividamento pode originar implicações sociais e psicológicas importantes, como a marginalização e a exclusão social, os problemas psíquicos, o alcoolismo, a dissolução das famílias, as perturbações da saúde física e mental dos filhos das famílias endividadas.

Em pesquisa feita pela Serasa Experian mostra que em segunda colocação estão as dívidas com cartões de crédito e financeiras, com uma participação de 33,5% na inadimplência dos consumidores, nos onze meses de 2008 – sendo que a primeira posição está nas dívidas bancárias. Em outra matéria que foi apresentada pelo Jornal Nacional (Março, 2009) confirma que a inadimplência com cartão de crédito continua crescendo, isso significa que houve um aumento no número de brasileiros que não estão conseguindo pagar as suas dívidas com o cartão.

Outro caso de endividamento muito comum é o do crédito consignado, esse caso afeta principalmente o aposentado e pensionista, além da pouca instrução de conhecimento financeira a fragilidade dessas pessoas é muita expressiva.

A abordagem na rua, pelo telefone e até mesmo na fila do cash é agressiva e acaba fazendo com que o aposentado-principal vitima dos créditos consignados – se iluda e contrate o empréstimo sem saber realmente do que se trata e qual a taxa de juros que ele vai pagar – não lendo e entendo o contrato. A cobrança é feita em desconto em folha, impossibilitando o mesmo de sacar no momento de fragilidade o seu salário.

A oferta de crédito hoje se encontra em extrema fartura, sendo de fácil e rápida a sua aquisição, improvisando para que as pessoas caiam na armadilha do consumo fácil, o que elas não sabem a respeito dessas agressivas publicidades é o conteúdo dos imensos elementos contratuais, onde minúsculas letras contam o valor real dos encargos financeiros e condições de pagamento. Mesmo assim o crédito consignado vem aumentando em alta escala no ano de 2004 a 2008.

Na edição de 2006 do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) foi apresentado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) onde três dimensões do desenvolvimento humano foram constatadas: educação, renda e longetividade.

A Sociedade Central de Proteção ao Crédito (SPC) e o Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) também realizam pesquisas trimestralmente para situar todos os cidadãos, principalmente os brasileiros, como anda a perspectiva de endividamento no país. E uma dessas pesquisas realizada pode ser analisada a seguir, como se constata na tabela 1, com as proporções de 1997,2002 e 2007, o desemprego fico como principal motivo da alta taxa de inadimplência hoje em nosso país.

 

     Tabela 1-Pesquisa sobre inadimplência no Brasil-SPC e Use cheque

Motivos/Anos 1997   2002 2007
1- Causas da inadimplência
Ficou desempregado

37% 

47%

53%

Alguém da família ficou desempregado

2% 

 3%

3%

Doença na família

 3%

 6%

 4%

Descontrole do gasto

 22%

15% 

 10%

Queda da renda

 16%

 2%

 4%

Ter sido avalista emprestou nome.

 -

 14%

 14%

Outros

 20%

  13% 

 12%

2-Sexo
Masculino

72% 

57%

62%

Feminino

 28%

 43%

 38%

3-Idade
Menos de 20 anos

4% 

2%

3%

De 21 a 30 anos

 42%

 40%

25% 

De 31 a 40 anos

 32%

 40%

 34%

De 41 a 50 anos

 17%

 13%

 26%

De 51 a 60 anos

 4%

 4%

 10%

Mais de 60 anos

 1%

1% 

 1%

             

    Fonte: Extraída de SPC e IEGV (2007).

 

Pode-se observar que além do desemprego, há alguns incisos que colaboram para maior taxa de inadimplência como o sexo, nessa análise aponta um percentual bem mais elevado de dívidas para pessoas do sexo masculino, uma média em dez anos de 63% de inadimplência. Para o inciso idade, destaca as pessoas com idade entre 21 a 40 anos como maiores devedores no mercado entre 1997 a 2007, tendo como média 35% de inadimplência. Tendo maior destaque nas pessoas com mais de 60 anos aonde o índice de inadimplência chega a 1% nos casos pesquisados, durante dez anos consecutivos.

Além dos dados extraídos da pesquisa feita pelo SPC e pelo IEGV, como idade, sexo, os endividados podem ser classificados quantitativamente por ordem objetiva, como os endividados ativos e os passivos.

Dando destaque para os endividados passivos e ativos podemos diferenciar eles da seguinte maneira: endividados passivos são aquelas pessoas que não optaram pelas dividas por sua vontade própria, mas sim por ocasião fora do esperado; já os endividados ativos são os realmente fazem dividas por que não conseguem ficar longe de um banco, financeira ou cooperativa de crédito.

Em pesquisa realizada por Consalter (2005), entre os entrevistados endividados 80 % eram passivos e o restante ativo como mostra a Figura 1 abaixo:

 

 

 

 

 

         

           Figura 2: Número de pessoas endividadas passivas e ativas

             Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados de Consalter (2005)

 

As dívidas na maior parte das vezes levam as pessoas ao precipício, onde muitas procuram ajuda em diversos departamentos principalmente os de defesa do consumidor. Esses departamentos se utilizam do código regido para esse fim usam o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

O CDC tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo.

Nos casos onde particularmente as pessoas atingidas pelas irregularidades dos serviços oferecidos são por parte dos prestadores de serviços de cartões de crédito, as ajudas pode vir da Associação Nacional dos Usuários de cartões de credito a ANUCC. A ANUCC auxilia e defende os direitos dos consumidores do dinheiro de plástico, dando dicas e esclarecimentos acerca do assunto.

A ANUCC possui um manual para orientar os consumidores a respeito de como renegociar as dívidas contraídas através dos cartões de crédito, nele é encontrado praticamente tudo a respeito do dinheiro de plástico.

A despeito de o CDC restringir expressivamente a possibilidade de praticas abusivas nos contratos de adesão dos vários produtos comercializados no país, ainda existem cláusulas proibidas negociadas livremente.

 

2.2 Educação primordial para dívidas

 

A Educação Financeira pode ser percebida como um processo de transmissão de conhecimento que permite o refinamento da capacidade financeira dos indivíduos, de modo que estes possam adotar decisões fundamentadas e seguras.

Piletti (2006) considera a educação como um processo de influência exercido pelas gerações adultas sobre a população jovem. Isso quer demonstrar que devemos começar a estimular o aprendizado, desde o momento em que uma criança entra no ciclo de vivência para o futuro.

É no ambiente familiar que deve ser acordado o interesse pelos assuntos financeiros. A ausência de discussão em família pode deixar lacunas na educação dos filhos. Os conselhos de pais sobre o dinheiro, são informações mais influentes que uma criança recebe acerca do assunto. Não se devem ficar dúvidas que ser bem preparado na infância para lidar com o dinheiro viabilizará melhor o futuro na vida adulta.

Analisando bem a percepção de Piletti entendemos que a importância da educação financeira pode ser vista sob diversas perspectivas: sob a perspectiva de bem estar pessoal, jovens e adultos podem tomar decisões que comprometerão o seu futuro, e outra perspectiva é diante do bem estar da sociedade.

A correta educação seja ela financeira ou não são pilares fundamentais para um país em globalização, deve ficar claro que essa questão não se refere somente no período onde uma criança freqüenta a escola, mas sim em todo o momento onde apresenta capacidade de entender o melhor para os indivíduos.

Nesse artigo o pilar sobre educação se concentra na educação financeira, onde ela tem o domínio de sensibilizar as pessoas sobre os melhores passos para uma boa administração financeira, tanto no campo pessoal como no profissional.

A educação deve prover as pessoas com habilidades de tomar decisões que melhorem as habilidades dos indivíduos de pesares alternativas, explorarem oportunidades e atingir objetivos pessoais.

A fragilidade das pessoas físicas no endividamento se da principalmente pela falta de educação financeira, o consumo excessivo e os baixos rendimentos. Mas não é difícil se reeducar nessa área, hoje as formas de aprendizado são muitas e de fácil entendimento, não precisa ser um economista ou administrador basta de vontade e não ter medo de querer sair do vermelho.

O importante na educação financeira é saber que o compromisso de atender seus objetivos e pagar suas contas só depende de cada um, e que não se deve gastar mais do que se deve. A educação vem ajudando muitas pessoas que possuem dividas principalmente no produto cartões de crédito.

Sem nenhum espectro de dúvidas, que o maior benéfico da educação financeira é aceitar que você tenha controle da sua situação financeira. Algo que efetivamente não tem preço.

Muitas pessoas ignoram o valor de uma vida financeira controlada e planejada, seja por achar “muito difícil” organizar as receitas e despesas, seja por não saber por onde dar início ou não ter uma direção a seguir. Porém, poucos sabem que com uma vida financeira bem controlada, o dinheiro vai render mais, permitindo realizações e sonhos.

Nota-se que a educação financeira influencia o comportamento dos indivíduos e melhora o seu bem estar, na medida em que o nível de capacitação financeira está diretamente ligado à qualidade do planejamento financeiro, à redução do estresse e ao êxito na consecução de objetivos.

O êxito na gestão das Finanças Pessoais não está relacionado exclusivamente ao nível de recursos financeiros aglomerados por um individuo durante a sua vida, mas à aptidão de planejar a disponibilidade destes, para atingir a imaginação.

Em pesquisas realizadas em livros, sites e outros são de fácil notação da importância que as universidades estão dando para formar pessoas com uma correta educação e principalmente educação focada na organização social e financeira. Algumas unidades de ensino estão implementando de maneira lenta em suas grades curriculares a Educação em Finanças Pessoais, mas na verdade há a necessidade de se promover a sua inclusão em todos os currículos brasileiros.

A Educação Financeira deve ser promovida de forma justa, os programas específicos devem focar as prioridades de todos os pais, deve ser estimulada como um instrumento para o crescimento, através das mídias ela poderia ser utilizada como um estimulo à compreensão das pessoas quanto à necessidade de buscarem o entendimento financeiro.

Não é difícil entender quais são os benefícios obtidos junto à educação em finanças, a conservação de um bom histórico de crédito ao lado do habito de pesquisar as condições favoráveis e mais acessíveis permitem que uma pessoa se torne menos gastadora.

Existem hoje alguns mandamentos sobre o tema desse capitulo que podem ser citados abaixo:

-Organizar as despesas por data de vencimento e pague as em dia;

-Analise com cuidado o extrato bancário;

-Acumule uma reserva financeira compatível com três meses de salário;

- Pense o orçamento financeiro com muito carinho;

-Mude os hábitos de consumo;

-Poupe regularmente…

Esses são apenas algumas regras básicas para poder viver com dignidade e tranqüilidade hoje.

 

2.2 Cartão de crédito-O dinheiro de plástico mais cobiçado

 

O cartão de crédito nasceu a pouco tempo nos Estados Unidos, mais concretos nos anos cinqüenta, com o Diners Club. O nome foi dado após um jantar entre milionários onde depois de algumas divergências na hora do pagamento da conta, foi constatado que não havia dinheiro suficiente para saldar a dívida, foi quando um deles já conhecido do estabelecimento conseguiu crédito entregando seu cartão de visita com os respectivos valores devidos.

Sendo assim os amigos refletiram na possibilidade de como seria conveniente mais pessoas desfrutar dessa regalia diariamente. Foi então fundada a empresa Diners Club por quatro amigos milionários, emitindo o primeiro cartão de crédito em 1950.

Em 1952, o conceito de cartão ganhou novos adeptos, correndo à emissão do primeiro cartão de validade internacional. Sua rede afiliada já abrangia um grande número de restaurantes, hotéis e diversos estabelecimentos varejistas. Por volta de 1960 o cartão foi aceito em mais de 50 países em todos os continentes.

Com o passar do tempo outras formas aparentemente dos cartões de crédito foram descobertas, em 1914, na Europa já havia os cartões de credenciamento, utilizadas em lojas com o nome do cliente. Jasper (2000) ressalta que com o Diners Club foi instituído o conceito de commodity que poderia ser vendido.

Por volta de 1956, o Brasil foi uns dos primeiros paises da América Latina a espalhar o uso do cartão de crédito. A partir dos anos noventa o estilo de utilizar o mesmo se espalhava por todo país.

Popular como uma acanhada peça de plástico, colorida com seu tamanho uniforme, tendo imprimido e em relevo certos dizeres como: nome do organismo emissor, nome e assinatura do emissor, número do portador, validade, data de emissão entre outros.

          O cartão de crédito obtém, com facilidade, cumprir um papel tradicionalmente atribuído à moeda, que é ser um meio de pagamento, como também permite um plus, que é a obtenção de crédito com maior facilidade em comparação com as figuras que historicamente cumpriram esse fim.

          O uso do cartão de crédito pode causar uma dissonância cognitiva nos consumidores, já que estes não sentem em seu bolso o peso de pagar a vista e a fatura só chega há alguns dias ou semanas, e, além disso, existe a possibilidade de fazer o pagamento mínimo, motivo que leva o mesmo como sendo o principal causador de dividas. Nesse impulso o cartão faz com que as pessoas gastem mais do que pagam com dinheiro.

Os cartões possuem varias utilidades e diferenças que podem ser encontrada no cartão de débito para o de crédito ou múltiplo, pré-pago e até de loja, e ainda mais bandeiras utilizadas e emissores, validade e preço….

O cartão de crédito é um meio de pagamento eletrônico que possibilita o portador adquirir bens e serviços, parcelados ou não parcelados, com preço à vista em estabelecimentos credenciados com a bandeira do cartão e fazer saques em dinheiro em meios eletrônicos habilitados para o mesmo.

O cartão de débito é um meio de pagamento vinculado a uma conta bancária, que possui a mesma função de adquirir bens e serviços, com a utilização de senhas.

O cartão de crédito é um instrumento bastante versátil e útil, mas deve ser utilizado com cuidado para evitar dívidas que se tornem muito difíceis de quitar. As empresas de cartão hoje somam 297 milhões de plásticos, dígito bem mais expressivo do que o número de brasileiros. Sendo que no mundo esse número chegou a 514 milhões em 2008.

A ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) fez um levantamento sobre as quantidades de cartões, transações e valores das transações dos cartões de crédito desde 2000 até 2008. Assim como podemos ver na tabela 2, ela mostra que o número de plásticos surpreende tanto nos de crédito, débito e até nos cartões de loja. Os de crédito tiveram um incremento de 430% no período de 2000 a 2008. O montante dos valores das transações ultrapassa os 375 bilhões de reais, sendo que desses 57% fica destinado somente aos cartões de crédito.

O mercado de cartões do Brasil está, atualmente, em fase de amadurecimento, depois da explosão da base de possuidores de cartão e de estabelecimentos comerciais que aceitam o cartão, porém a tendência de aumento de titulares tanto como o aumento de transações é esperada.

Hoje no país é difícil encontrar um estabelecimento que não esteja apto a receber o pagamento dos bens ou serviços prestados via modalidade eletrônica, tanto via cartão crédito, de débito, boletos e até a nova modalidade de pagamento criada pela Febraban, o DDA (Debito Direto Autorizado). O DDA está ainda em implantação em algumas instituições financeiras, mas pode ser entendida como um serviço que possibilitará ao comprador consultar e pagar eletronicamente, através do banco que possui conta corrente, poupanças ou conta salário, todos os títulos de cobrança registrada emitidos contra ele, sejam eles do próprio banco ou de qualquer outro.

 

Tabela 2-Evolução do número de cartões e de seus respectivos valores de transações

   

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

     Total

N° de cartões milhões

119

151

183

222

277

336

388

453

514

Variação %  

28%

21%

21%

25%

21%

15%

17%

14%

N° de transações

1,1

1,4

1,6

1,9

2,5

3,2

3,7

4,4

5

Variação %  

25%

19%

19%

30%

25%

17%

20%

20%

Valor Transações R$ bilhões

65,7

88,3

104,1

127,6

158,9

199,5

244,7

301,6

375

Variação %  

34%

18%

23%

25%

26%

23%

23%

24%

    Crédito

N° de cartões milhões

29

38

42

45

53

68

82

104

124

Variação %  

31%

11%

9%

17%

29%

21%

27%

19%

N° de transações

0,6

0,7

0,8

0,9

1,1

1,3

1,6

1,9

2

Variação %  

18%

15%

14%

23%

23%

17%

19%

0

Valor Transações R$ bilhões

45,4

59,6

68,5

82,6

95,1

115,4

141,9

173,8

215

Variação %  

31%

15%

20%

15%

21%

23%

23%

24%

     Débito

N° de cartões milhões

48

64

82

105

138

171

187

201

217

Variação %  

33%

29%

28%

31%

24%

10%

8%

8%

N° de transações

0,2

0,3

0,5

0,6

0,9

1,2

1,5

1,7

2

Variação %  

67%

39%

33%

48%

32%

17%

18%

23%

Valor Transações R$ bilhões

10,1

15,9

20,8

27,5

42,1

55,6

66,5

82,6

107

Variação %  

58%

31%

32%

53%

32%

20%

24%

30%

Loja e Rede

N° de cartões milhões

42

50

59

71

86

97

118

147

173

Variação %  

19%

18%

20%

21%

13%

21%

24%

18%

N° de transações

0,3

0,3

0,4

0,47

0,5

0,6

0,7

0,9

1

Variação %  

9%

5%

12%

19%

18%

19%

25%

18%

Valor Transações R$ bilhões

10,2

12,7

14,8

17,6

21,7

28,5

36,3

45,2

53

Variação %  

25%

17%

19%

23%

31%

27%

24%

17%

Fonte: ABECS (2009)

 

A Lei n° 24.240 do Código Civil, referente à proteção do consumidor, estabelece uma série de deveres, relativos a informações, publicidade, operações de crédito e condições de contratação.

Para toda e qualquer obtenção de um cartão é imprescindível passar pelo sistema contratual, onde nele existem informações em conjunto que formam a operação econômica do cartão de crédito.

A simples contratação gera obrigações, pois no plástico tem o logotipo da administradora e suas recomendações e alguns exibem o logo da instituição financeira. Já o compromisso com o pagamento das obrigações é emitido a favor do titular do cartão.

A empresa administradora do plástico é um intermediário, de quem depende toda a existência do sistema, é ela que seleciona os titulares do cartão, credencia as instituições, gera as regras de funcionamento.

A participação dos bancos está presente praticamente na totalidade dos sistemas do mercado, eles podem emitir os cartões, gerenciando o sistema, ou associar-se a administradoras.

Os cartões devem seguir os ciclos para uma correta utilização tanto pela parte da administração quando da parte dos usuários. Ciclo esse que pode ser analisado como na figura 3 abaixo:

 

 

 

 

Clientes

 

 

Adesão

 

 

Desbloqueio

 

 

Compras

 

Administradora               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 3: Ciclo dos cartões de crédito

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da ABCES

 

Mas acontece de tudo com quem procura usar meios de pagamentos abusivamente, pois quando o cliente do cartão começa a utilizar o chamado crédito rotativo, pagando somente o valor mínimo da fatura, o mesmo começa a entrar em um processo de endividamento. Processo esse que se não for corrigido com urgência, irá ocasionar em curto prazo problemas financeiros gravíssimos.

Para fim de defesa do consumidor há sempre princípios de legislação e proteção ao crédito, mas não basta deixar para se endividar e pedir revisão das dívidas. Os órgãos de defesa do consumidor deixam claro que defende proposta nas quais as dívidas foram efetuadas por imprudências das administradoras e instituições emissoras dos plásticos e não por parte de inconveniência dos consumidores.

Por esses motivos de endividamento e outros é que a prioridade pelo uso do cartão de crédito é do próprio comercio isso ocorre por que caso o cliente deixe de pagar a conta, a inadimplência é transferida à administradora, mas pela tranqüilidade de não haver “calote”, o comercio paga à administradora uma taxa sobre o valor da venda. E no pagamento à vista, os clientes também estão preferindo o dinheiro de plástico a o papel e até mesmo os cheques.

 

3. Conclusão

 

           Foi constatado que o endividamento está cada vez mais impressionando a população brasileira, são dívidas e dívidas que não se revogam mais, se tornam maior no momento do desemprego, sendo que essa informação mostra uma margem percentual de 53% dos casos de endividamento no país, relatado no ano de 2007.

O desígnio de todo esse drama que a população vem padecendo está ligada a ela mesma, a falta de controle financeiro e o consumo excessivo está entre as determinantes do endividamento. A educação financeira tema também desse artigo mostra que há possibilidades sim, de se conter as dívidas e minimizar o sobre endividamento.

Nesse desequilíbrio pode-se notar que algumas pessoas endividadas não conseguem ter uma noite de tranqüilidade sabendo que possui dividas e mais dividas, enquanto algumas não dão a mínima atenção para suas altas contas.

Mas a adoção de princípios fundamental de planejamento e controle financeiro possibilita que os indivíduos alcance mais ligeiramente e sem gastar muito o seu alvo de consumo, assim como um lazer maior no orçamento.

O que mais impulsiona o crédito é por ele ter uma forma de adquirir bens ou serviços hoje, sendo o pagamento efetivo deste consumo se dá em um momento posterior.

Umas das medidas adotadas pelo governo podem aumentar a oferta de produtos e serviços através da formatação de cooperativas de crédito, onde as taxas de juros para aquisição de crédito são os menores hoje praticas no país.

Muitas dessas dívidas estão relacionadas às faturas dos cartões de crédito, compras e mais compras que na hora de pagar nem se sabem direito o que estão pagando e muitas das vezes são contas sem necessidade.

Mas podemos mudar essa situação se ficar bem claro na cabeça dos consumidores o lema utilizado por muitas pessoas mais velhas, principalmente da família: “Quem tem dinheiro compra, quem não tem dinheiro não compra”. Um modelo desses pode ser visto no cartão de debito, ele só é aceito se tiver saldo na conta.

Por que usar um dinheiro que você não sabe se ele vai entrara na sua conta ou não, e se acontecer algum momento de necessidade familiar, tirara aonde?

Essa pergunta e muitas outras podem fazer com que uma pessoa pense no momento de comprar com um dinheiro incerto.

 

 

4. Referências

 

ABECS, Associação Brasileira das Empresas Cartões de Credito e Serviços. Mercado de Cartões. Disponível em www.abecs.org.br. Acesso em: 23 de Março de 2009.

 

ANUCC, Associação Nacional dos Usuários de Cartões de Crédito. Disponível em: www.anucc.com.br. Acesso em: 01 de Março de 2009.

 

AZEVEDO, Renato Olimpio Sette de. Cartão de Crédito: Aspectos Contratuais. São Paulo, 2007.

 

BRANCO, Gerson Luiz Carlos. O Sistema do Cartão de Crédito. São Paulo: Saraiva 1998.

 

BRASIL, Lei n° 8.078 de 11 de Setembro de 1990. Ementa da Lei. Disponível em www.planalto.gov.br. Acesso em: 01 de Março de 2009.

 

CASADO, Márcio Mello. Os Princípios Fundamentais como Ponto de Partida para Primeira Análise do Sobre endividamento no Brasil, RDC 33, 2001.

 

CONSALTER, Rafaela. O Perfil do Superendividado no Rio Grande do Sul. ADPERGS, 2005.

 

COSTA, Geraldo de Farias Martins da. Superendividamento: a proteção do consumidor de crédito em direito comparado brasileiro e francês. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.

 

JORNAL NACIONAL, Inadimplência com Cartão de Crédito Cresce no Brasil. Disponível em: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1040836-10406,00INADIMPLENCIA+COM+CARTAO+DE+CREDITO+CRESCE+NO+BRASIL.html. Acesso em: 14 de Março 2009.

 

MADRUGA, João Paulo. O tratamento do Fenômeno Mundial do Superendividamento no Brasil. Pelotas, 2006.

 

MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1992.

 

MARQUES, Maria Manuel Leitão. O Endividamento dos Consumidores. Coimbra: Almedina, 2000.

 

MARQUES, Samuel. Controle Financeiro Pessoal. Disponível em: www.organizesuavida.com.br/si/site/710102. Acesso em: 07 de Abril de 2009.

 

MODERNELL, Álvaro. Educação Financeira: por que não aprendi isso antes?. Disponível em: www.edufinanceira.com.br/index.php?ac=leiamais&ar=6. Acesso em: 07 de Abril de 2009.

 

NUNES, Tiago. A Evolução do Grau de Endividamento dos Aposentados e Pensionistas com a Diversificação e a Massificação do Crédito Consignado. Pelotas, 2008.

 

OLIVEIRA, Renato Luiz Tavares de.; DECKER, Sérgio Renato Ferreira. Normas para Apresentação de Trabalhos Acadêmicos da Escola de Ciências Econômico-Empresariais. Pelotas, 2007.

 

RODRIGUES, Silvio. Dos Contratos e das declarações unilaterais da vontade. São Paulo: Saraiva 1999.

 

SERASA EXPERIAN, Inadimplência dos Consumidores avança 7,6% até novembro, revela Serasa Experian. Disponível em www.serasa.com.br/empresa/noticias/2008/index.htm. Acesso em: 16 de Fevereiro de 2009.

 

SOUZA, Lisiane Segovia de. O Superendividamento do Consumidor Pessoa Física. Pelotas, 2008.

 

TOLOTTI, Márcia. As armadilhas do consumo: acabe com o endividamento. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

 

ZERRENNER, Sabrina Arruda. Estudo sobre as razões para o endividamento da população de baixa renda. Biblioteca Virtual da USP. Disponível em www.usp.gov.br. Acesso em: 09 de Novembro de 2008.

2 responses to Analise do endividamento das pessoas físicas com o cartão de crédito no Brasil e utilização da educação financeira como ferramenta de controle do endividamento.

  1. voces conhecem amigos e parentes que esteja endividado,sem casa para morar, ou problema de saude? Se responder sim, me procure.
    (a mente que abre a uma nova ideia, jamais voltara ao seu tamanho original.)

  2. Devo para finançeira cash do brasil e não consigo contato para saber o valor para negociar

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>