SER OU NÃO SER MAQUIAVÉLICO, EIS A QUESTÃO
16:03 em Outros por Artigos Online
Nicolau Maquiavel pode ser encarado como o único indivíduo “velhaco” em toda a História. Durante todo o tempo de sua vida (final do século XV e início do século XVI) – talvez isto seja mesmo uma característica de todo ser humano, em todos os tempos – as pessoas falavam como anjos e agiam como ladrões. Viveu na mesma época de personalidades como o papa Alexandre VI. Este papa era capaz de envenenar os inimigos para em seguida abençoar-lhes as almas… Foi também contemporâneo do filho de Alexandre VI, César Borgia, que apunhalava os seus amigos quando os abraçava e envenenava seus convivas oferecendo-lhes o pão de sua mesa. Tornou-se duque de grande parte da Itália, graças às inúmeras traições de seu pai e alcançou uma posição proeminente entre os príncipes ocidentais, através de suas próprias desonestidades.
Maquiavel viveu num “tempo de guerra”… Num tempo em que os representantes do povo fingiam desviar sua atenção das coisas da terra e dirigi-la para as coisas do céu. Na verdade, que lhes interessava, a justiça e a piedade? Fingiam o tempo todo… Ouvindo a voz da cobiça, fingiam crer na palavra divina. Sôfregos por alcançar o poder e a riqueza, a única conduta que julgavam realmente digna, era a da brutalidade. Atingir a supremacia era o ideal dos ambiciosos europeus daquela época e quiçá de todos os tempos.
Ele escreveu inúmeros livros sobre a arte de governar, falando ao mundo de bárbaros cuja desonestidade era a melhor política: “Se precisardes apunhalar o inimigo, sede atencioso para com ele e fazei-o pelas costas”. Aconselhou a todos os governantes a empregarem os métodos expostos em seus livros, se quisessem apoderar-se do governo de um novo estado e reter sua soberania sobre ele.
Maquiavel não se interessava de nenhum modo pelo bem-estar dos súditos; sua preocupação consistia apenas na grandeza do representante do povo, no caso, o príncipe. A obra “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel (onde suas ideias estão claramente expressas) constitui o melhor comentário sobre o estado de imoralidade na Europa durante os séculos XV e XVI, embora não tivesse sido escrito com tal intenção: no contexto histórico supracitado chega às mãos dos representantes do povo – que nenhum valor davam para os ensinamentos bíblicos – um novo decálogo de brutalidade. Um manual que lhes ensinava como lograr, roubar e matar o próximo a fim de atingirem seus objetivos…
Traçar um quadro exato da obra prima de Maquiavel, “O Príncipe”, é possível, ao se condensar suas doutrinas, o que pode ser feito a partir de “mandamentos”, como os da lei de Deus, entregues a Moisés no Monte Sinai, conforme a Bíblia.
Maquiavel deu a um mundo que fingia se ofender com isso, mas que na realidade se regozijava, um novo decálogo de brutalidade. Em vez de regras douradas, formulou regras de ferro. Rejeitou o Sermão da Montanha como um sonho impraticável e, em seu lugar, passou a pregar o Sermão da Espada…
Maquiavel não foi o “criador” das ideias presentes em sua obra. Na verdade, tais sentimentos sempre estiveram – e estão – um pouco – ou muito – presentes no coração de todo ser “humano”…
Em alguns anos de meditação no exílio, elaborou um valioso conjunto de pensamentos capazes de revolucionar a história das teorias políticas. Eis o suprassumo de sua obra, “seus” 10 mandamentos, totalmente avessos àqueles da Bíblia: 1o – Zelai apenas pelos vossos próprios interesses; 2o – Não honreis a mais ninguém além de vós mesmos; 3o – Fazei o mal, mas fingi fazer o bem; 4o – Cobiçai e procurai obter tudo o que puderdes; 5o – Sede miserável; 6o – Sede brutal; 7o – Lograi o próximo toda vez que puderdes; 8o – Matai os vossos inimigos e, se for necessários, os vossos amigos; 9o – Usai a força, em vez da bondade, ao tratardes com o próximo; 10o – Pensai exclusivamente na guerra.
O que Maquiavel propõe, é o estudo da sociedade através da análise da verdade efetiva dos fatos humanos, sem jamais perder-se apenas em especulações sem nenhuma importância. Para tanto, reflete sobre a realidade política, pensada em termos de prática humana concreta, interessando-se, principalmente, pelo fenômeno do poder formalizado na instituição do Estado, procurando compreender como se fundem, desenvolvem, persistem e decaem as organizações políticas.
Ainda hoje, o destino de tais pensamentos ainda não foi completamente decidido. Maquiavel aprendeu que as grandes obras humanas, como a criação de Estados e religiões, impuseram aos fundadores o uso de todos os recursos. E aceitou tal realidade como um dado concreto; um dado definidor da natureza humana.
Ao longo do tempo, o convívio político entre os homens veio comprovar a veracidade destas ideias. A teoria “bonita” é bem diferente da prática. O governo atual do Brasil não foge à regra; não é preciso ser nenhum estudioso no assunto para se verificar este fato.
Ano a ano, governante após governante, o povo convive com a injustiça, com o sofrimento, com as desigualdades… Por outro lado, faz-se uma lavagem cerebral em todos ao se transmitir a ideia de que se há miséria, fome, analfabetismo, etc., é porque o povo é incapaz, acomodado, “relaxado”, desinteressado. Não faz sua parte… E acaba “engolindo” tudo… O que dizer da atual realidade sociopolítica e econômica do Brasil? O acúmulo de fraudes e roubalheiras significa que o país afunda cada vez mais em seus insanáveis vícios. Por outro lado, as denúncias formuladas e os crimes tornados públicos é um “aparente” sinal de evolução nos caminhos da “moralidade”, inclusive em Bom Despacho.
Se no tempo de Maquiavel a guerra era tão importante, é preciso ir ao fato de que quase todos os países eram governados por discípulos dele. Suas éticas eram, sobretudo, as do militarista e do político. Nas atuais relações indivíduo a indivíduo é certo que foi realizado algum progresso na busca de um código decente de ética. Mas nas relações de nação para indivíduo e de nação para nação, ainda impera o egoísmo imperialista, como no caso do Brasil, onde podem ser visualizadas mentiras diplomáticas e exploração selvagem disfarçada de preocupação com o bem estar do povo…
Uma chance de tentar amenizar estas tristes verdades é usando a força do voto para dar uma oportunidade à “esquerda” de tentar mudar e lutar para reformular a realidade nacional! Não é impossível! Chega do famoso: “Eu não entendo de política”! Está na hora de arregaçar as mangas e, cada um de seu modo, procurar estar inteirados dos assuntos concernentes aos interesses de todos – e que estão nas mãos de “alguns”…
EM TEMPO: Não posso deixar de, mais uma vez, e com muita alegria, agradecer a todos os leitores que demonstram seu carinho em forma de elogios a mim dirigidos.
NEIVA MARIA GARBAZA – PROFESSORA PARTICULAR
É com imenso carinho que inicio minha jornada de escritora via internet! Espero agradar gregos e troianos. E receber comentários para quiçá poder aprimorar, sempre!
Sou inteiramente concorde. Organização em primeiro lugar, parabéns!
Gostei muito de seu texto, continue presenteando-nos com outros. Estamos aprendendo muito, obrigada!